domingo, 4 de novembro de 2007

DIA 10


(sábado - Último dia)

Este era o último dia de gravações. Principalmente por essa razão decidi avisar o Ben, e perguntar-lhe se estaria interessado em ir, já que depois de mim era quem estava mais entusiasmado com esta história da gravação.
Ele podia ir, e lá fomos para a "recta final" das gravações.

Verdade seja dita que o mais essencial já lá está. Ao fim do dia consegui ter todas as partes de voz gravadas, e até mesmo a parte de teclado da música inicial ficou registada (com muitos pregos, mas está lá). Já é possível alguém ouvir aquilo e perceber algumas ideias, alguns espaços que antes estavam vazios... No entanto, ainda não acabou; mas isto foi o que eu fiz neste sábado.

Muita palhaçada à mistura, e a familiarização em alta, foram os ingredientes principais para eu tentar ignorar os "fantasmas de estúdio" que teimavam em me assaltar a boa disposição.
Ainda não me tinha esquecido que teria que re-gravar a bateria da música #2 (a tal), mas estava a tentar manter-me positivo.

Algumas experiências foram feitas com as minhas ideias para coros, e uma ou outra parecem vir a trazer mais valias em relação à versão original. No entanto, noutros casos, a coisa parece um pouco... má.
Teremos que repensar, e ver o que será melhor.
Foi um dia dedicado à voz, e parte das palhaçadas foram concerteza também para exorcizar toda e qualquer hipótese de nuvem negra por cima da régie, pois a maior parte das vocalizações que fiz eram com voz "gutural". Isso costuma acordar a agressividade e irritação em algumas pessoas, por isso fiz o meu melhor, durante toda a gravação (outros dias incluídos) para contrapôr tudo isso.
Acho que é o que eu faço.

Como ainda faltam coisas - incluíndo solos, a tal faixa de bateria, e alguns coros que me esqueci, e outros que gostaria de repetir -, provavelmente terei de fazer "trabalho extra", que apesar de tudo só me deixa mais à vontade.
Quanto mais coisas eu puder corrigir, melhor.


Penso que é por aqui que me fico.
Pelo menos, por agora.
Esta foi a aventura de um feio/mau, a viver uma parte do seu sonho Rock'N'Roll!

Cheerz

X')=

DIA 9


(Sexta)

Neste dia só pensei numa coisa:
Será que eu não devo fazer isto? É suposto que eu não faça isto????

Para explicar o meu ponto de vista, cá vai:
.Coisas que já tinham acontecido:
- o Produtor atrasar-se;
- o PC estar sempre desaparecido da régie;
- os atrasos pelo pessoal que está sempre amarrado lá na F.d.S;
- "Falha" de electricidade;
- Coisas que normalmente funcionavam bem (software/hardware) começam a dar problemas;
- Coisas - instrumentos e equipamento - que deveriam estar prontas a funcionar, desaparecem do sítio;
(...)

O que aconteceu nesta sexta-feira:
- a bateria (ou uma das...) do jipe do Nuno deu o berro, ele ainda estava a caminho - teve de chamar a assistência, e não foi rápido;
- Possivelmente devido a um erro estranho de recepção/gravação de dados entre o PC e o disco externo, veio-se a descobrir que parte (uma BOA parte) de uma faixa de bateria de uma música tinha desaparecido.

Já depois de ele ter chegado os atrasos continuavam com o entusiasmado rapper do costume a contar as suas mais recentes peripécias, e a insistir que tinha que gravar um refrão, que nem demorou tanto como isso. Não é só nas rimas que ele é rápido; é rápido também no raciocínio e na letra, e é difícil um gajo conseguir ignorá-lo ou até tentar apressá-lo ainda mais, quando a forma como ele compacta tanta coisa em tão pouco tempo (apesar de muito para mim..) mostra alguém que mais parece que tem um metabolismo a 280km/hora.
Bom rapaz, mas realmente o meu atraso não me poupava o negativismo, logo que, preferia não ter muitas mais "sessões de amigos" tão cedo.
Mas ainda tive essa, o Nuno ainda teve de ir arranjar salas para o grupo X e Y, e o artista Z ou W irem ensaiar, teve de ir ligar microfones e tantas outras coisas de quem está responsável de um sítio, que eu, sabendo o que isso custa, não tinha outro remédio senão esperar e ter a quantiedade de paciência razoavelmente necessária.
No entanto, ter paciêcia eu tenho, e aguento bem algumas coisas - até imprevistos -, mas do que eu não estava à espera, era de levar com um "golpe" daqueles.
Foi um acidente. Até me podia acontecer a mim a gravar sozinho em casa, no entanto, quando eu pensava que o que estava para trás podia ser corrigido sem pensar muito e me preocupava mais com o que viria a seguir, percebo que a palavra "imprevisto" significa algo muito mais sério do que aquilo com que eu estava a contar.

Eu fiquei branco, pálido, quase em estado póstumo, quando me apercebi que a tal quase-metade de bateria de uma música havia desaparecido.
Fora o trabalho de quase meio "dia" ao ar, e as férias só estão a acabar, não a ser prolongadas. O € também está +/- contado, apesar que a boa relação que estamos a manter me parece fazer esses problemas não serem muito preocupantes.
Com tempo as coisas se farão, e com tempo elas ficarão como devem.

No entanto, depois de gravar o baixo da #9 (único em falta), e de gravar voz para 3 músicas, não consegui resistir ao cansaço e exaustão provocada por tudo o que eu não estava à espera. Acabei por ter que dar o dia como concluído, pois eu já estava ko.

X'/=

Folga


(quinta)

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

DIA 8


(quarta)
Se eu desse subtítulos a estes textos, a este eu chamaria "Dia 8 - o dia dos Pregos".
(com P grande, porque eram grandes pregos)

Para o caso de ser uma expressão menos familiar, passo a explicar (o seu significado na gíria musical'o'amadora nacional):
PREGO : acto de cometer um sacrilégio técnico na execução de um instrumento, em determinada, ou em várias determinadas partes de uma música/canção/composição musical; errar uma nota; falhar num "tambor", a meio de um break; aquelas coisas que fazem uma pessoa pensar "eu pensava que esta pessoa tocava melhor"; Erro.

lol

Este foi o dia em que eu cometi mais pregos, desde que comecei a dar os primeiros indícios de vontade para a música a simular tocar bateria com umas canetas na mesa da sala de aula.
Nunca dei tantos pregos num dia. Aquilo quase que dava para acabar caixões que enchessem um cemitério; não fosse este, o dia de preparação para o dia dos "falecidos".
Mas eu não fui o único.

Primeiro, no fim da manhã, consegui ter o Ben em casa a carregar o material do "Sanatório" para o carro dele. Assim já estava isso despachado e eu não teria que passar em casa nem nada, antes do concerto.

Cheguei ao casarão, e "que é que fazemos hoje?".
Eu tinha estado a praticar em casa a música #1, que é apenas uma introdução, em teclas.
Acabámos por nos dedicar antes ao baixo. Eu já assim estava à espera. Mas antes... wow... Rewind!!...

"Hey?!... Onde é que está o computador?"

LOL... o colega dele tinha levado o computador para casa, só com um ligeiro aviso "não confirmado", e o Producer não tinha trazido o dele.
"E agora?"
Eu disse logo "Vais até casa buscar o teu, que é melhor do que ficarmos à espera dele, e eu espero. Tem que ser e tem. Assim não se perde pelo menos tempo a pensar..."
E lá fiquei, uma horinha, a ouvir música e à espera. O que vale é que eu tinha que beber.

Quando ele chega, já eu estava o gajo mais positivo à face da terra. Sóbrio, mas não exageradamente. O baixo, apesar de eu reconhecer muito a sua importância, tinha sido a coisa com que eu menos me havia preocupado desde o início de toda esta aventura. Por uma razão simples: fosse o que fosse que este fizesse, eu queria sempre que servisse antes de mais para reforçar e fazer sobressair o que é feito na guitarra. Só por isso.
Neste momento eu quase deixaria esta tarefa a cargo do Ben, por várias razões, mas também por outras várias razões, acabou por ter mesmo de ser assim.
Mas mesmo assim, foi uma sessão dedicada ao Ben. Não tivesse eu feito o que fiz, na boa, e sem stresses.

"E então por qual começamos?", e eu "Qualquer uma... pode ser a mais fácil. Hoje é para gravar isto tudo!"
A brincar a brincar, mas eu estava mesmo determinado a arrumar o baixo num dia - uma tarde!
E gravei 7 das músicas! Só ficou a faltar uma. Mas aí é que entra também a parte chata: ficaram todas muito mal tocadas. Mas eu não dei muita importância; 1: porque ele me tinha dito que iria editar/replicar o baixo de qualquer das formas; 2: porque estávamos atrasados e tinha mesmo de ser assim - muito rápido. As férias já estão a acabar.
Prego atrás de prego. "Esta deve ter uns 7 pregos aí pelo meio, mas tu percebes qual é a ideia; é uma cena tão repetitiva!"
E ele sabia que sim. E eu sabia que ele iria editar aquilo tudo. E isso só me deu mais vontade para não parar, nem olhar para trás e gravar, uma atrás da outra.
Ele até teve de me deixar lá sozinho a gravar, tal era a minha "cegueira". Pois eu não parava nem para ir comer qualquer coisinha.
Estava atrasado no plano de gravações. No plano "oficial", tínhamos mais 2 dias, que se tornaram num só por causa do que iria acontecer nesta noite. Quem é que se ia conseguir levantar no dia 1? Estava mesmo assim decidido.
Ao fim da tarde lá estavam as 7 pseudo-faixas de baixo gravadas - atenção, é nestes momentos que tem que ser dito: é preciso valorizar o Produtor, mesmo! -, faltando apenas uma, e tendo sido, uma das sete, a tal que eu fiquei sozinho a gravar.

Foi agradável e divertido mesmo assim, por várias razões. Já não estava a gravar no estúdio, mas mesmo na régie, ali ao lado de quem carregava nos botões, e eu sempre a meter nojo.
"Vamos vamos! Vais ver! Só saio daqui quando isto estiver tudo gravado!"
Depois, também foi engraçado, pois eu já não me lembrava de metade das coisas que fazia no baixo, e outras foram inventadas "em cima do joelho". Também foi divertido porque, ou é de mim, ou aquele baixo estava afinado duma forma muito estranha. Para eu conseguir uma nota coincidente da primeira para a segunda corda, tinha de ir até quase ao 10º traste. O que é muito complicado, até para um baixista; imagine-se eu que não toco baixo...
LOL... e essa mesma primeira corda, imagine-se, era mais grossa que o normal, daí que se notava uma diferença no som.
Tudo junto no final, vai fazer com que soe a qualquer coisa definitivamente diferente, disso eu não tenho muitas dúvidas. X')=

Como os pregos não acabaram aí, tínhamos ainda um acidente para provocar!

E foi dos grandes! LOL X'D=
Todos nos divertimos. O Finghers pontapeava as letras - sim! levámos as letras, que ele colocou num "suporte para partituras", tipo de orquestra (parti-me a rir) -, a guitarra do Enri não se ouvia, o Ben partiu uma corda...
(Pausa: partir uma corda de baixo não é comum. É quase raro (a não ser que sejam cordas dos chineses... mas aquelas não eram)... e ele tinha tido um tal pesadelo de algo do género "partir a corda", e pronto!)
...Eu andava sempre a dizer que só me saltava uma baqueta - no máximo - por música, se acontecesse, e dei comigo quase a ter de tocar com as mãos. Foi demais. Acho que só quem se diverte com a música é que é capaz de fazer coisas destas e ainda sair a rir. Nós rimo-nos a valer!
Até conseguímos o feito de ter o público a pedir mais músicas... a pedir para improvisarmos - acho que quem disse para fazermos isso levou porrada dos amigos, depois de terem saído do Bar. só pode! LOL... -, e fazer algo nunca visto: como já tínhamos esgotado quase todo o nosso cancioneiro - a nossa original incluída (2 vezes) -, tivémos de passar para a lamechisse; começámos uma "Nothing else matters", com direito a isqueiros no ar - quase me caíu tudo! Nós a tocarmos pior que os Sex Pistols, e pessoal com isqueiros no ar!... LOL -, e o mais engraçado é que tocámos a música a bem dizer toda, mas nunca chegámos a tocar o refrão da porra da música. Não percebi. Só sei que foi de rir.
Ninguém sabia o que estava a fazer, nem o que ia acontecer a seguir.
Um dia, quando tivermos originais, pode ser que já não sejamos os Sex Pistols, mas mais os Clash. Não era nada mau.
X')=

DIA 7


(terça)
Gravámos o resto das guitarras que faltavam - riffs e parte estrutural. Correu bem e de forma descontraída.

11:30 estávamos já no sítio de gravações. Fora assim combinado para aproveitar o dia, uma vez que o Sô Producer tinha uma consulta que lhe roubava parte da tarde; assim compensámos por avanço.
Demos conta da música que estava intermitente do dia anterior, que já estava com um faixa de guitarra relativamente boa, e gravámos a faixa #9 logo a seguir. Não passado muito tempo - quer dizer.. passou, mas quase a voar - já a hora da consulta dele estava a chegar, e fizemos um furo.

Lá me pus (por opção minha) a passear pela cidade e a ouvir música. Pelo meio fui almoçar até uma tasquinha... juro que, apesar de ser um prego, já não comia uma refeição tão agradável há muito tempo; acho que é a descontracção e dedicação àquele dever "artesanal" que lhe dedicam os mais velhos (de 50 para cima).

Quando dei por mim já estava atrasado (para variar), depois de o Nuno me ter dado o toque de "come-back-time"; estava já longe do casarão. Mais uns 15 minutinhos a pé (em cima do atraso) e cheguei lá.

Quando chego, já a pensar "Ok, acabei de ser eu, desta vez, a desperdiçar 1 hora...", quem é que lá estava a falar com ele há um bom tempinho? O Capataz - finalmente já sei o code-name do rapper/hip-hopper que está sempre tão entusiasmado e dedicado à sua causa lá pela casa. X')=
Afinal "não me tinha atrasado" assim tanto.
De volta ao bom ritmo de trabalho, as duas que faltavam eram das mais fáceis, e das com menos tempo. Muito descontraídamente, com direito a fazermos um break para o lanche e tudo, acabámos o que precisávamos fazer nessa tarde.
Destaque especial para a gravação da #6, em que gravei umas partes na guitarra electroacústica que lá estava. Foi algo diferente, literalmente, pois para a captar tive que tocar mesmo sentado, com microfone virado para a caixa da guitarra (apesar de uma segunda ligação também aproveitar os benefícios eléctricos dela). Dois micros; um para a caixa da guitarra, outro para eu falar. Eu sentado a tocar em acústico. Se conseguisse sacar grandes cenas ali na guitarra até me sentia o Paredes. lol

Já esta gravação ia quase na recta final, ainda tive a experiência de assistir a dois dos amigos e colaboradores do Producer lá no casarão a explorarem o estado de conservação de um "marshal" antigo. Estava todo aberto e dava para ver os fusíveis, e a válvula(???... eu não percebo muito disto, mas sei que funciona a válvulas). Penso que eram as válvulas que eles estavam a trocar. Rebentava uma, experimentavam outra. Sempre curti o som daqueles amplificadores e nem fazia ideia de como era essa mítica válvula. Naquela tarde/noite vi 3 a serem queimadas. lol

E foi assim. Depois de dar sugestões fraquinhas ao Producer de exercícios para bateria, que estava àquela hora a desviar-se para dar uma aula de bateria, fui à minha vida; já o dia estava feito.

Ao ir para casa e a preocupar-me de como estavam as coisas para o concerto, fico a saber que o Finghers - vocalista - estava doente (de cama), e que o Ben tinha perdido o telemovel.

X'D=