
(quarta)
Se eu desse subtítulos a estes textos, a este eu chamaria "Dia 8 - o dia dos Pregos".
(com P grande, porque eram grandes pregos)
Para o caso de ser uma expressão menos familiar, passo a explicar (o seu significado na gíria musical'o'amadora nacional):
PREGO : acto de cometer um sacrilégio técnico na execução de um instrumento, em determinada, ou em várias determinadas partes de uma música/canção/composição musical; errar uma nota; falhar num "tambor", a meio de um break; aquelas coisas que fazem uma pessoa pensar "eu pensava que esta pessoa tocava melhor"; Erro.
lol
Este foi o dia em que eu cometi mais pregos, desde que comecei a dar os primeiros indícios de vontade para a música a simular tocar bateria com umas canetas na mesa da sala de aula.
Nunca dei tantos pregos num dia. Aquilo quase que dava para acabar caixões que enchessem um cemitério; não fosse este, o dia de preparação para o dia dos "falecidos".
Mas eu não fui o único.
Primeiro, no fim da manhã, consegui ter o Ben em casa a carregar o material do "Sanatório" para o carro dele. Assim já estava isso despachado e eu não teria que passar em casa nem nada, antes do concerto.
Cheguei ao casarão, e "que é que fazemos hoje?".
Eu tinha estado a praticar em casa a música #1, que é apenas uma introdução, em teclas.
Acabámos por nos dedicar antes ao baixo. Eu já assim estava à espera. Mas antes... wow... Rewind!!...
"Hey?!... Onde é que está o computador?"
LOL... o colega dele tinha levado o computador para casa, só com um ligeiro aviso "não confirmado", e o Producer não tinha trazido o dele.
"E agora?"
Eu disse logo "Vais até casa buscar o teu, que é melhor do que ficarmos à espera dele, e eu espero. Tem que ser e tem. Assim não se perde pelo menos tempo a pensar..."
E lá fiquei, uma horinha, a ouvir música e à espera. O que vale é que eu tinha que beber.
Quando ele chega, já eu estava o gajo mais positivo à face da terra. Sóbrio, mas não exageradamente. O baixo, apesar de eu reconhecer muito a sua importância, tinha sido a coisa com que eu menos me havia preocupado desde o início de toda esta aventura. Por uma razão simples: fosse o que fosse que este fizesse, eu queria sempre que servisse antes de mais para reforçar e fazer sobressair o que é feito na guitarra. Só por isso.
Neste momento eu quase deixaria esta tarefa a cargo do Ben, por várias razões, mas também por outras várias razões, acabou por ter mesmo de ser assim.
Mas mesmo assim, foi uma sessão dedicada ao Ben. Não tivesse eu feito o que fiz, na boa, e sem stresses.
"E então por qual começamos?", e eu "Qualquer uma... pode ser a mais fácil. Hoje é para gravar isto tudo!"
A brincar a brincar, mas eu estava mesmo determinado a arrumar o baixo num dia - uma tarde!
E gravei 7 das músicas! Só ficou a faltar uma. Mas aí é que entra também a parte chata: ficaram todas muito mal tocadas. Mas eu não dei muita importância; 1: porque ele me tinha dito que iria editar/replicar o baixo de qualquer das formas; 2: porque estávamos atrasados e tinha mesmo de ser assim - muito rápido. As férias já estão a acabar.
Prego atrás de prego. "Esta deve ter uns 7 pregos aí pelo meio, mas tu percebes qual é a ideia; é uma cena tão repetitiva!"
E ele sabia que sim. E eu sabia que ele iria editar aquilo tudo. E isso só me deu mais vontade para não parar, nem olhar para trás e gravar, uma atrás da outra.
Ele até teve de me deixar lá sozinho a gravar, tal era a minha "cegueira". Pois eu não parava nem para ir comer qualquer coisinha.
Estava atrasado no plano de gravações. No plano "oficial", tínhamos mais 2 dias, que se tornaram num só por causa do que iria acontecer nesta noite. Quem é que se ia conseguir levantar no dia 1? Estava mesmo assim decidido.
Ao fim da tarde lá estavam as 7 pseudo-faixas de baixo gravadas - atenção, é nestes momentos que tem que ser dito: é preciso valorizar o Produtor, mesmo! -, faltando apenas uma, e tendo sido, uma das sete, a tal que eu fiquei sozinho a gravar.
Foi agradável e divertido mesmo assim, por várias razões. Já não estava a gravar no estúdio, mas mesmo na régie, ali ao lado de quem carregava nos botões, e eu sempre a meter nojo.
"Vamos vamos! Vais ver! Só saio daqui quando isto estiver tudo gravado!"
Depois, também foi engraçado, pois eu já não me lembrava de metade das coisas que fazia no baixo, e outras foram inventadas "em cima do joelho". Também foi divertido porque, ou é de mim, ou aquele baixo estava afinado duma forma muito estranha. Para eu conseguir uma nota coincidente da primeira para a segunda corda, tinha de ir até quase ao 10º traste. O que é muito complicado, até para um baixista; imagine-se eu que não toco baixo...
LOL... e essa mesma primeira corda, imagine-se, era mais grossa que o normal, daí que se notava uma diferença no som.
Tudo junto no final, vai fazer com que soe a qualquer coisa definitivamente diferente, disso eu não tenho muitas dúvidas. X')=
Como os pregos não acabaram aí, tínhamos ainda um acidente para provocar!
E foi dos grandes! LOL X'D=
Todos nos divertimos. O Finghers pontapeava as letras - sim! levámos as letras, que ele colocou num "suporte para partituras", tipo de orquestra (parti-me a rir) -, a guitarra do Enri não se ouvia, o Ben partiu uma corda...
(Pausa: partir uma corda de baixo não é comum. É quase raro (a não ser que sejam cordas dos chineses... mas aquelas não eram)... e ele tinha tido um tal pesadelo de algo do género "partir a corda", e pronto!)
...Eu andava sempre a dizer que só me saltava uma baqueta - no máximo - por música, se acontecesse, e dei comigo quase a ter de tocar com as mãos. Foi demais. Acho que só quem se diverte com a música é que é capaz de fazer coisas destas e ainda sair a rir. Nós rimo-nos a valer!
Até conseguímos o feito de ter o público a pedir mais músicas... a pedir para improvisarmos - acho que quem disse para fazermos isso levou porrada dos amigos, depois de terem saído do Bar. só pode! LOL... -, e fazer algo nunca visto: como já tínhamos esgotado quase todo o nosso cancioneiro - a nossa original incluída (2 vezes) -, tivémos de passar para a lamechisse; começámos uma "Nothing else matters", com direito a isqueiros no ar - quase me caíu tudo! Nós a tocarmos pior que os Sex Pistols, e pessoal com isqueiros no ar!... LOL -, e o mais engraçado é que tocámos a música a bem dizer toda, mas nunca chegámos a tocar o refrão da porra da música. Não percebi. Só sei que foi de rir.
Ninguém sabia o que estava a fazer, nem o que ia acontecer a seguir.
Um dia, quando tivermos originais, pode ser que já não sejamos os Sex Pistols, mas mais os Clash. Não era nada mau.
X')=