
"Será que vai ficar bem?"
Não paro de pensar nisso. Sempre, sempre, sempre a pensar no mesmo.
A demo já tinha sido acabada de gravar faz quase 2/3 meses, e habituei-me a admirar até pequenos defeitos que nela tinha, quanto mais todos os detalhes ao pormenor, que eu perdia paciência a editar nas faixas de bateria, duas e três horas antes de fazer qualquer outra coisa mais por cima da música.
Este foi, até agora, o dia mais profissional de todos. Cheguei e o Nuno já lá estava; passados 15 minutos estava já a gravar; gravei as duas últimas faixas de bateria que faltavam... o resto foram stresses de "ansiedade VS tempo".
Sexta (admito que estou mesmo a escrever no dia seguinte e não no próprio dia. Tem sido cansativo e não há muita paciência para escrever quando assim é) foi o último dia de gravações de bateria. Foi decidido pelos dois, por duas razões: temos pouco tempo(+/- 5 dias) para tudo o resto, e há material suficiente nas faixas de bateria para fazer "batota". Quando o tempo escasseia - por tanta coisa que aconteceu nesta semana, enfim - não há margem para querer meter "honestidade" na execução musical à frente da qualidade. Eu quero que aquilo fique bem, que soe bem, e não ficar arrependido quando ouvir aquilo no fim. Espero que assim seja.
Apesar que ontem, por causa de ser a "última hipótese" - decidida mutuamente, como escrevi - de gravar o que fosse na bateria, passei o tempo todo a ver defeitos em tudo quanto era lado.
Eu já sabia que ia ser um dia rápido na gravação. Contudo, um dos meus medos materializou-se, e outros ainda assaltaram-me de surpresa. Na música #9 (a última), muita coisa correu mal. O problema é que não foi correr mal de ser um "prego", ou outro. Eu tocava e coincidia com o tempo certo, o problema é que soava mesmo mal, e no fim também houveram coisas que me parecia que iam soar bem e soaram desastrosamente.
Tal foi o meu stress que, como não nasci ontem, eu próprio admiti ao Sr. Producer que fôssemos então lanchar qualquer "porcaria" e desanuviar a cabeça. No entanto, de volta, ficando eu sozinho - por decisão dos dois - a ouvir as 8 músicas, de propósito para encontrar todos os defeitos com os quais pudesse(eu próprio) implicar, encontrei coisas mínimas em cada uma, mas que fariam a diferença. Apontei tudo o que encontrei ao pormenor e, espero(vamos lá ver..) que as coisas fiquem a soar bem, como sempre deveriam ter soado.
É que não é apenas uma questão de a bateria estar certa com o tempo. Isso é mais ou menos fácil, bastando ter alguma prática no ritmo x acompanhado do metrónomo. O problema maior é a fluidez com que se toca esse ritmo, e é algo que para mim faz muita diferença. Mas infelizmente, não tive tempo para gravar 3/4 horas cada faixa, estando a ouvir até ao mais ínfimo pormenor aquando à volta dessa mesma. Naturalmente serão coisas que muita gente não notará, mas neste momento eu quero ficar agradado com o investimento que estou a fazer. Já não penso no dinheiro, mas sim no produto que vou erguer como sendo este conjunto de músicas no seu estado definitivo.
Como poderá ser definitivo se eu não estiver contente com elas?
Será que algum dia vou estar contente?
Será que não irei estar sempre a colocar defeitos?
"Esta é aquela parte em que é suposto tu me dares um estalo e dizer "Cala-te páh! Não vês que isto está bem?!!!" e eu fico mais calmo."
É melhor manter a cabeça fria e avançar. Como ele disse, e eu tenho que concordar, agora, o mais importante é as coisas baterem certo no ritmo, e é aí que eu estou. (Depois disso ainda se podem tratar de outros detalhes, desde que o ritmo esteja certo)
Há duas músicas - a #9 e a #7 - que têm partes (ao todo 3 partes) que eu queria mesmo analisar "cirúrgicamente". Não há volta a dar, soa-me mal, tem que ser corrigido. A menos que o Produtor, com a sua experiência me impeça de tal. Pois, por vezes é disso mesmo que estou à espera. Que me acalme dizendo que está tudo sob controlo. O problema é, como ele diz, e bem, que eu tenho um avanço muito grande sobre ele nisto; são as minhas músicas e ninguém sabe melhor do que eu como elas são.
E eu sei neste momento que quero mexer naquelas três partes. Depois vê-se o resto.
Segunda-feira ainda será dedicada a isto.
Sábado e domingo não haverá nada disto, porque domingo é domingo, e porque sábado ele já tinha algo combinado há muito tempo, para fazer.
É da maneira que vou desanuviar o resto que faltava, ensaiando com o pessoal para o concerto de dia 31. Ainda bem que tenho isso.
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